Uma análise detalhada à Silene Capensis e ao seu potencial para potenciar sonhos

Raiz dos sonhos africanos (5 gramas)

Luke Sumpter
Luke Sumpter
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A Silene capensis, conhecida na Europa como African Dream Root ou Gunpowder Root, é uma planta psicoativa originária da região do Cabo Oriental, na África do Sul. Trata-se de uma planta perene delicada mas muito resistente ao calor, necessitando contudo de grandes quantidades de água para crescer em pleno. As suas flores têm um aroma intenso, frequentemente descrito como uma mistura exótica de cravinho, banana e jasmim. No entanto, é na raiz que se encontram os compostos psicoactivos responsáveis por sonhos vívidos e, por vezes, sonhos lúcidos.

As propriedades oníricas da African Dream Root são aproveitadas há séculos em práticas enteogénicas. O povo Xhosa, da África do Sul, considera-a uma planta mestra sagrada e utiliza a raiz para comunicar com os antepassados, tradicionalmente os da linha paterna, pedindo-lhes conselhos e orientação através dos sonhos. Esta planta desempenha ainda um papel fundamental nas cerimónias de iniciação dos xamãs Xhosa.

VP African Dream Root

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Pensa-se que as características psicoactivas da African Dream Root estão associadas à presença de saponinas triterpenóides na sua raiz. Embora no estado de vigília raramente se notem efeitos, estes compostos manifestam-se de forma intensa durante o sono. A investigação sobre a planta continua escassa; para além de um estudo dedicado a estas saponinas, quase tudo o que sabemos provém da prática tradicional e de relatos pessoais.

Efeitos da Silene capensis

Effects Of Silene Capensis

O principal efeito da raiz africana dos sonhos é potenciar sonhos vívidos e lúcidos, além de melhorar a qualidade do sono. Os sonhos tornam-se mais intensos e fáceis de recordar e, com prática, é possível atingir estados de lucidez plena. A Silene capensis facilita esta experiência lúcida, sobretudo para quem já tem alguma experiência a explorar o universo onírico.

Convém mencionar que os efeitos da raiz africana dos sonhos nem sempre se fazem sentir de imediato; muitas vezes, é necessário tomá-la durante alguns dias para experienciar sonhos mais vívidos. Quando começa a fazer efeito, porém, pode contar com viagens oníricas mais conscientes e envolventes. Há quem descreva cores nitidamente mais intensas nos sonhos, e alguns utilizadores relatam lucidez suficiente para decidir o rumo que o sonho toma. Na tradição Xhosa, este estado tem um propósito claro: concentre-se numa pergunta antes de adormecer e, segundo se conta, a resposta chegará nos seus sonhos, enviada pelos antepassados.

A raiz deixa-o ainda com uma sensação de frescura ao acordar; mesmo seis horas de sono podem saber a uma noite completa. Essa frescura tem, no entanto, os seus limites. A memória do que sonhou tende a desvanecer-se ao fim de um dia, por isso, se quiser guardar os pormenores, mantenha um diário de sonhos ao lado da cama e aponte tudo assim que acordar.

Se consumir uma grande quantidade de raiz africana dos sonhos de uma só vez, pode ocorrer um efeito purgativo. Apesar de não existirem registos de efeitos nocivos, pode provocar vómitos, pelo que se recomenda respeitar as doses indicadas.

Preparação

Existem três formas habituais de preparar a Silene capensis: o método tradicional da espuma, as cápsulas e um simples chá dos sonhos. A raiz é sempre a mesma; a escolha é, sobretudo, entre o ritual e a conveniência.

O método tradicional da espuma

O método tradicional de preparação da raiz dos sonhos africanos

É assim que os Xhosa preparam a raiz há gerações. Triture cerca de 200-250mg e junte o pó a meia chávena de água, batendo depois até se formar uma camada espessa de espuma branca à superfície. Como bater à mão demora bastante, hoje em dia muita gente prefere verter a mistura para um frasco bem fechado e simplesmente agitá-lo. Retire a espuma com uma colher, ou puxe-a por uma palhinha, e engula apenas a espuma; o líquido por baixo não se destina a ser bebido. Agite de novo para obter uma camada fresca e repita até se sentir confortavelmente cheio. A tradição manda tomá-la logo de manhã, em jejum, voltando a comer normalmente quando a fome regressar.

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Cápsulas

Métodos de consumo da raiz dos sonhos africanos

O método da espuma é o clássico. Contudo, como a Silene capensis produz melhores resultados quando tomada de forma regular, a alternativa mais prática é em cápsulas. Para isso, basta moer a raiz até obter pó e colocá-lo em cápsulas de gelatina. Recomenda-se a ingestão diária entre 500mg e um máximo de 3g, durante alguns dias. O melhor é começar com uma dose baixa, aumentando gradualmente para se adaptar à planta. Recorde-se que doses maiores não oferecem necessariamente melhores resultados; por isso, 1g por dia é geralmente a referência padrão. Tome a cápsula cerca de meia hora antes de se deitar e não se preocupe se ainda estiver acordado passado esse tempo; a raiz é conhecida pelas suas qualidades relaxantes, por isso deixe-a atuar com calma. Uma nota prática: o pó de Silene capensis oxida rapidamente, pelo que deve ser moído apenas imediatamente antes de ser utilizado.

Chá dos sonhos

Prefere bebê-la? Moa um pedaço de raiz com cerca de 2cm e misture-o com uma colher de sopa de canela e outra de gengibre moído. Junte a mistura a uma chávena de água a ferver, adoce com mel ou açúcar e deixe repousar durante uns minutos. Um pouco de leite ou de natas suaviza o sabor sem alterar os efeitos. E, se aprecia este tipo de infusões, há muitas outras ervas que valem a pena infundir.

Antes de começar

Conclusão sobre a raiz dos sonhos africanos

Antes de avançar, vale a pena ter alguns pontos em mente. A investigação sobre esta raiz é escassa e sobretudo anedótica, por isso encare cada afirmação, incluindo as desta página, com curiosidade e não como certezas. Nunca foram registados efeitos secundários graves nem casos fatais, mas, se estiver grávida ou a amamentar, o melhor é deixá-la de lado. Alguns utilizadores de longa data afirmam ainda que os efeitos se tornam permanentes ao fim de cerca de três meses de uso diário. Verdade ou não, é sensato fazer uma pausa de dois em dois meses e observar como se comporta o seu sono sem ela.

A legalidade raramente é um problema, já que não se conhece nenhum lugar onde a raiz africana dos sonhos seja proibida, embora confirmar as regras locais continue a ser da sua responsabilidade. Feito isso, só resta agitar, engolir ou beber, e descobrir o que os seus sonhos têm para lhe dizer. Se este tipo de planta lhe desperta interesse, a nossa secção de ervas dos sonhos guarda mais algumas por conhecer. Bons sonhos!

Luke Sumpter
Luke Sumpter
Detentor de uma licenciatura em Ciências da Saúde Clínica, Luke Sumpter dedica-se há mais de sete anos ao jornalismo e à escrita, explorando a ligação entre a ciência e o mundo da canábis, unido pela sua paixão pelo cultivo de plantas.